Brasil, a terra do Palhaço-clown
Origens do interesse no Brasil
No Brasil, desde a década de 90, com o advento da internet e com as constantes visitas de trupes européias e orientais de teatro, dança e, sobretudo de circo, tornou-se fácil encontrar informações sobre as origens e a existência de palhaços e clowns no decorrer da história e em atuação pelo mundo afora.
Ainda nesta época e também sob forte influencia das referências do cinema e da televisão (Chaplin, Trapalhões, Chaves, etc), uma leva de jovens artistas brasileiros tomou um apreço pessoal pelo circo e suas possibilidades e principalmente sobre a figura do palhaço.
Acerca disto, sabe-se que tanto na tradição circense quanto nas outras áreas pelas quais o palhaço se insinuou (cinema , teatro e TV), existem no mínimo dois arquétipos latentes, cujas origens remontam histórias com versões variadas, porém o que será esboçado a seguir, é uma breve descrição de apenas uma destas teorias, propriamente a que fundamenta a proposta em foco.
Como os brasileiros designam palhaço e clown
O termo clown foi adotado por alguns pesquisadores brasileiros desta linguagem para diferenciar seu trabalho, o valorando como um modo de praticar o palhaço fora do âmbito tradicional circense. Isto posto, clown então passa a ser chamado aquele que faz palhaço no cinema, na TV, no teatro ou nas praças públicas. Já ao termo palhaço, restou a alcunha de todos os que o são no âmbito da tradição circense. Estes termos também se aplicam no dia-a-dia do circo para diferenciar arquétipos dos palhaços (branco e augusto).
Porque propor que se aplique o termo palhaço-clown por aqui
Enfim chega-se ao ponto no qual este projeto se insere como uma contribuição prática e teórica aos buscadores deste conhecimento.
O que pouco se atenta é que no Brasil praticamos uma linha singular desta linguagem: o palhaço-clown, que é uma junção de várias linhas praticadas em diversos continentes e que aqui (em meio a um povo miscigenado como somos) encontra a possibilidade de surgir enquanto unidade.
O termo composto palhaço-clown deriva das duas concepções descritas acima por serem as mais aceitas. Aplicar este termo encontra sentido ao passo que se percebe que no Brasil a maior parte dos atuadores mescla estes arquétipos em sua pesquisa e é em atenção a isto que se propõe esta oficina.
Rodrigo Figueira
(texto extraído de sua proposta de oficina "Atrás do Nariz")